quarta-feira , 17 agosto 2022

Show do U2 em detalhes

O primeiro show do U2 no Brasil na noite desta segunda-feira no estádio do Morumbi mostrou que a banda é quase uma religião, com 73 mil fiéis que acompanharam o ritual de Bono, Edge, Larry e Adam com o devido fervor. Houve exaltações à convivência pacífica de judeus, cristãos e palestinos em “Sunday bloody sunday”, a declaração universal dos Direitos Humanos passou no gigantesco telão em português durante “Sarajevo”, a canção contra a guerra na Bósnia com Bono fazendo a parte de Luciano Pavarotti, com quem gravou a canção, mandando ver no gogó operístico.

Ele pediu a integração da América Latina, nomeando os países da região enquanto suas bandeiras apareciam no telão e a platéia só vacilou quando ele gritou “Argentina” e veio uma tremenda vaia. Tudo isso em “Pride”, dedicada ao campeão dos direitos humanos Martin Luther King.

– O sonho de Martin Luther King não é apenas um sonho americano, mas irlandês e latino americano também – disse Bono enquanto o estádio fazia o coro de ôôôô.

O show teve pouco mais de duas horas e 23 canções, com dois bis e terá um repeteco nesta terça. A grandiosidade do espetáculo é garantida por uma muralha de leds de 30 metros de altura por 21 de largura onde são projetadas imagens abstratas, a própria banda e outras imagens que ilustram as canções. Como em boa parte do show, a parede de leds não mostra a banda, que aparece em três telões menores no alto, a gente fica com a sensação de que a banda é esmagada pelas enormes imagens projetadas atrás dela. Bono e The Edge trabalham muito na passarela circular quer avança sobre o público, com gente também no seu interior, numa grande comunhão entre artista e platéia. E Bono, o campeão das massas, aproveita ao máximo.

A qualidade de som estava melhor do que o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana. A afiada guitarra de The Edge ressoava por todo o estádio, permitindo apreciar o virtuosismo deste instrumentista que criou um estilo próprio, variando do uso da guitarra como instrumento de percussão, quando tranca o braço com a mão esquerda e fica só “batucando” com a mão direita, até a multiplicação de sons através do efeito de delay, criando uma poderosa massa sonora.

A platéia vibrou com velhos sucessos como “Sunday bloody sunday”, “Pride (In the name of love)”, “New years day” e mais recentes como “Vertigo”, “Elevation” e “Beautiful day”, menos com “Original of the species”, “Love and peace or else”, “Sometimes you can’t make it on your own.

“One” foi usada por Bono para propagandear a campanha mundial de combate à fome que o tem como fervoroso militante. Ele usou uma metáfora carnavalesca para tratar do tema.

– Adoro o carnaval do Brasil, quando ficam juntos ricos e pobres, esquerda e direita. Para acabar com a pobreza precisamos todos agir juntos como um só.

Quando tocou “Zoo Station” no primeiro bis apareceram imagens dos jogadores Ronaldo e Pelé, do presidente George Bush e de Lula. Ele voltou citar nosso presidente no final, agradecendo a hospitalidade durante almoço na Granja do Torto no domingo.

À certa altura, Bono pediu palmas para Larry, dizendo que a banda era dele, uma alusão ao fato de Larry ter colocado um anúncio na escola secundária Mount Temple, in Dublin, que Bono, Edge e Adam responderam e deu no que deu. Larry fechou os trabalhos no encerramento da última canção, “40” quando os demais saíram e ele ficou sustentando a batida para a multidão cantar “How long to sing this song?”, aí parou, o estádio prosseguiu, ele retomou a batida por alguns compassos e se retirou. Vendo um show do U2 a gente até acredita que o rock pode mudar o mundo.

Fonte: O Globo On Line

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